Autoridades da Segurança Pública discutem a importância das ciências forenses em conferências setoriais da InterForensics
04/11/2021 - 15:57

As conferências setoriais da InterForensics 2021, maior evento internacional de ciências forenses da América Latina que segue até a próxima sexta-feira (05/11) em Foz do Iguaçu, tiveram início nesta quarta-feira (03/11), com discussão, de assuntos relevantes na área, por autoridades nacionais e internacionais da Segurança pública. As atividades debateram as propostas e trabalhos de estratégias das ciências forenses por meio da apresentação de mais de 100 trabalhos em sessão plenária e realização de mais de 40 mesas redondas. Participaram mais de 100 pessoas, entre conferencistas e autoridades da área de ciências forenses.

O secretário Nacional da Segurança Pública (Senasp), Carlos Renato Paim, que participou, acompanhado da diretora-geral do Departamento Penitenciário Nacional (Depen), Tânia Fogaça, e do Secretário Nacional de Políticas sobre drogas, Luiz Roberto Beggiora, do painel “Perícia sob a perspectiva da gestão nacional de Segurança Pública”, apresentou o papel da Senasp no fortalecimento das instituições de criminalística, despertando um olhar às pesquisas envolvendo a Segurança Pública.

"É um evento que tem capacidade de apresentar temáticas sobre ciências forenses, com o escopo único de fazer com que cada um tenho uma reflexão sobre o que já existe, os pontos fortes que podem ser explorados, e também, sobretudo, reconhecer pontos fracos, porque nisso reside a evolução e o crescimento. Então esse evento é fantástico, pois está trazendo pautas relevantes, atuais, para que todos possam entender o que já existe e para onde nós queremos ir", acrescenta.

No mesmo painel o Secretário Nacional de Políticas sobre drogas (Senad), Luiz Roberto Beggiora, destacou as ações da Pasta (sobre a gestão de ativos), relacionadas à perícia criminal e as ciências forenses e também os desafios a política sobre drogas (decreto 1.761). “Hoje a perícia é um instrumento utilizado em todo e qualquer tipo de prova produzida em processo judicial, por isso o investimento nessa área é muito importante, inclusive a própria Senad investiu mais de 37 milhões ao longo dos últimos 3 anos procurando dar subsídios, nesta área, aos estados brasileiros. Entendo que esse evento, com tantos especialistas internacionais, vai trazer muita contribuição para as ciências forenses do Brasil”.

APROXIMAÇÃO - Em outro painel das conferências setoriais o reitor da Universidade Federal do Paraná (UFPR) definiu o evento como uma oportunidade de aproximar, por meio do diálogo, todos os atores, sobretudo dos órgãos públicos, sejam estaduais ou federais, especialmente da segurança pública, para encontrar os pontos de intersecção nesta área de atuação.

“Estou absolutamente impressionado com a qualidade e com a capilaridade deste evento. Digamos que quando a gente consegue alinhar os astros, essas três esferas - universidade, políticas públicas (que possam ser viabilizadas também pelos órgãos de segurança) e as empresas - quando bem articuladas, bem amarradas a gente fica no melhor dos mundos”, completa.

INTEGRAÇÃO - Além das autoridades Nacionais da Segurança Pública e do reitor da UFPR, no período da tarde esteve presente o ex-diretor do Laboratório Criminal do Departamento do Xerife do Condado de Los Angeles e atual consultor de ciência forense sênior da Park Dietz and Associates, o americano Barry Fisher, que explorou a necessidade de colaboração internacional com cientistas forenses de todo o mundo.

“A colaboração em ciência forense para um mundo mais seguro promove e desenvolve estratégias para o uso desta ciência, destacando um encorajamento neste intercâmbio. Assim, as redes, sendo nacionais ou internacionais, estão aptas para a sua função e aprimoram o uso da ciência forense no mundo”.

*GENÉTICA FORENSE - Destacando a pesquisa em prol das forças da segurança pública, como um facilitador do processo dos investigadores e juízes, o Perito Criminal da Polícia Federal, Alexandro Mangueira, valorizou sobre a discussão da ciência e enalteceu a ciência aplicada à prática forense, pois traz bastante retorno à sociedade, no sentido que podemos produzir provas periciais com mais segurança, técnica e científica, e esses estados chegam de certa forma muito mais robustos e embasado nas mãos dos investigadores e juízes que vão promover os julgamentos desses crimes, em especial a genética forense.

“É uma ciência que está cada vez mais avançando em termos de tecnologia e por isso, é sempre importante estarmos pesquisando e apresentar os resultados, para que eles possam ser aplicados na rotina dos laboratórios forenses Brasil possam produzir prova de melhor qualidade, promovendo uma melhor investigação e julgamento. As pesquisas sempre têm que caminhar para resolver o problema que a segurança pública tem, ou seja, a academia promove a solução destes problemas, desenvolvendo metodologia e envolvendo materiais, para que possamos fazer exames periciais com a qualidade melhor”.

Neste segundo dia foram realizadas mais de 40 mesas-redondas sobre diversos temas como a Mensuração da Variabilidade Gráfica do Escritor; Caso Brumadinho (parte 1): Análise da Declaração de Estabilidade; Perícia Ambiental em Crimes Minerários; Isotopos Forenses para la trazabilidad de animales; Painel Perícias de Trânsito; Tecnologias e desafios da análise de resíduo de disparo de arma de fogo, Painel uso de drones em perícias de campo, Combate ao Tráfico de Bens Culturais no Brasil e entre outros.

CRIME FINANCEIRO - Dentre as mesas redondas estava a do Diretor-Geral da Polícia Científica do Paraná e Coordenador da XIII Conferência Internacional em Crimes Cibernéticos (ICCyber), Luiz Rodrigo Grochocki, que tratou sobre a “Integração e expansão de laboratórios de lavagem de dinheiro: desafios e oportunidades diante de tecnologias disruptivas e do sistema jurídico-legal”. Os demais participantes da mesa foram representantes do Ministério Público do Paraná e da Paraíba, os promotores Marcos Andrade e Octávio Celso Gondim, respectivamente, e representando a procuradora da República, Hayssa Kyrie Medeiros.

“A Polícia Científica possui um papel fundamental nesse campo, pois os crimes financeiros são de grande complexidade, e o serviço minucioso prestado pelos nossos peritos é essencial para a construção da prova material que, muitas vezes, é peça-chave em uma condenação ou absolvição justa”.

Ainda nesta mesa, de acordo com Grochocki, os participantes puderam aprofundar temas sobre utilização da tecnologia pelos agentes e peritos que atuam na solução de crimes financeiros, bem como algumas mudanças que a nova lei de proteção de dados pessoais (LGPD Penal) - ainda em projeto de lei na Câmara de Deputados - proporcionará neste meio.

INTERFORENSICS – A comissão científica do InterForensics conta com um grupo de mais de 90 integrantes, além de mais de 220 palestrantes, com 24 dirigentes da Polícia Científica do Paraná e 27 autoridades de ciências forenses. A edição 2021 vai agregar em um mesmo ambiente o público gerador de informação (academia), o envolvido na prática cotidiana (peritos), quem utiliza os dados levantados (meio jurídico) e os responsáveis por desenvolver novas tecnologias e ferramentas para o segmento (indústria), gerando novas parcerias.

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