Encontro em Foz do Iguaçu destaca importância da ciência forense para a segurança pública e a sociedade
05/11/2021 - 18:58

A InterForensics 2021, maior evento de ciências forenses da América Latina, realizado em Foz do Iguaçu (Oeste), encerrou nesta sexta-feira (05) após três dias de debates e troca de experiências de profissionais e especialistas do Brasil e do exterior. O encontro defendeu o uso de tecnologia, a troca de experiência e integração, o aprofundamento de estudos e de padronização de procedimentos para fortalecer as ciências forenses e enfatizar a importância da perícia para a segurança pública e para a sociedade.

Nove autoridades da área palestraram nas plenárias master da InterForensics 2021. “Essas discussões fomentam a reflexão no sentido de buscar avanços para as ciências forenses do Brasil e, no nosso caso, ao Paraná, que hoje já é referência em vários estudos, projetos e ações no País”, disse Luiz Rodrigo Grochocki, diretor da Polícia Científica do Paraná e coordenador da XIII Conferência Internacional em Crimes Cibernéticos (ICCyber). “Por meio da nossa Academia temos incentivado a pesquisa e a continuidade constante de estudos aprofundados que, certamente, ainda vão marcar a história da Polícia Científica paranaense”,afirmou Grochocki.

O secretário nacional da Segurança Pública, Carlos Renato Paim, participou do evento e ressaltou a importânciada perícia no Brasil. "Temos vários projetos em andamento na Senasp em prol das polícias científicas do País", afirmou. 

AÇÃO HUMANITÁRIA - O perito forense português do Alto-Comissariado de Direitos Humanos da ONU, Nuno Duarte Vieira, ministrou palestra sobre Medicina Legal e Perícias Médicas, com foco na ação humanitária forense em situações de desastres ou catástrofes naturais ou provocadas pelo homem.

Ele valorizou a participação das forças de segurança em ações humanitárias forenses, que segundo ele são essenciais neste trabalho. “As instituições policiais possuem conhecimentos específicos e de alguma forma ajudam a aliviar o sofrimento dos familiares, na busca e identificação dos corpos, por exemplo”, disse.

Segundo Vieira, o componente básico de uma ação humanitária forense acontece, principalmente, quando as pessoas morrem durante as guerras, catástrofes ou migrações. Os corpos, afirmou, devem receber o tratamento profissional, os restos mortais precisam ser encontrados, recuperados, documentados e, quando possível, identificados.

MEIO AMBIENTE – O representante do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, Niro Higuchi, falou sobre “As ciências forenses e a conservação ambiental para a atual e futuras gerações”. Ele abordou as tecnologias e metodologias de perícia em crimes ambientais, que permitem, por exemplo, a diferenciação de espécies entre amostras vegetais, adaptação por carbono 14 em acelerador de partículas, recuperação da informação de altura de árvores já tombadas. O pesquisar também destacou a utilização do Painel Intergovernamental de Mudanças Climáticas das Nações Unidas (IPCC) como parâmetro para reduzir incertezas e aumentar confianças em análises ambientais forenses.

CIBERNÉTICO – Um dos temas abordados no último dia do evento foi o do Deepfakes, um tipo de inteligência artificial que cria vídeos falsos ou modifica os originais para retirar a integridade do material. O especialista em tecnologia Sam Gregory falou sobre o assunto, destacando as tendências desta modalidade de desinformação, os danos que pode causar e possíveis soluções.

O especialista apresentou vídeos modificados de políticos influentes de diversos países que, de maneira realista, conseguem transmitir desinformação para a população. Gregory afirmou que por mais que a tecnologia maléfica tenha evoluído com o tempo, as ferramentas para comprovar a veracidade destes mesmos vídeos progrediram ainda mais.

Está ficando mais fácil criar uma gama maior de deepfakes, isto é, manipulações simples, como alterar um cenário, fazer os lábios de alguém se moverem em um som diferente ou até trocar de face. As pessoas vão ver mais e mais deepfakes. Por isso enfatizamos que não precisamos nos preocupar, mas sim nos preparar. Isso inclui educar o público sobre o assunto”, alertou.

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