Polícia Científica do Paraná comemora 20 anos de criação
25/10/2021 - 11:37

Verdade, Conhecimento e Justiça. Essas são as palavras que estão marcadas no brasão oficial da Polícia Científica do Paraná (PCP), em latim, que não só regem a sua bandeira como também são os ideais que fundamentam todo o trabalho desenvolvido pelos profissionais que compõem essa força da Segurança Pública do Paraná. Há 20 anos, no dia 24 de outubro de 2001, esta nova polícia surgiu com a união do Instituto de Criminalística (IC) e do Instituto Médico Legal (IML) e, desde então, só apresenta evoluções constantes até então.

De acordo com o Diretor-geral da Polícia Científica, Luiz Rodrigo Grochocki, a mais nova das polícias já vinha construindo seu legado desde muito antes de sua criação. “Apesar de ser a instituição mais jovem dentre as vinculadas à Segurança Pública do Estado, a Polícia Científica possui uma base muito sólida de conhecimento que está sendo alimentada por nossos profissionais. Através da ciência, temos alcançado bons resultados e desenvolvido nossos métodos, fazendo com que a justiça prevaleça, tal como está no nosso brasão. Nosso papel na sociedade tornou-se indispensável”, disse o Grochocki.

Historicamente, o IC foi criado a partir do decreto nº 790, de 16 de maio de 1935, com o nome de Laboratório de Polícia Técnica, no Paraná, enquanto que o IML, mais velho, foi instituído no Estado em 1892. Ambos ficaram integrados à Polícia Civil até o ano de 2001, até que, efetivamente, foi criada a Polícia Científica, que uniu as instituições as assumiu com autonomia, subordinando-se apenas à Secretaria da Segurança Pública (Sesp).

Nesses 20 anos, a PCP apresentou evolução constante em diversos e multidisciplinares áreas, visto que profissionais com as mais variedades formações e especialidades fazem parte da corporação e,são indispensáveis para a resolução de diversos casos, para o auxílio na conclusão de um processo penal ou simplesmente dar uma resposta ao cidadão perante alguma situação específica e delicada. 

Um exemplo é a Seção de Crimes Ambientais, setorizada desde 2019. Essa divisão do Instituto de Criminalística atua no campo relativo aos crimes envolvendo a fauna, a flora e demais recursos naturais que podem ter sido afetados durante alguma ilegalidade de crime. Tal como em outras áreas, a coleta dos vestígios pela Perícia Ambiental, inclusive, torna-se um fator crucial em diversos casos judiciais após serem utilizados, por exemplo, como prova, podendo definir ainda, através da interpretação da legislação, se tal ato foi ou não ilegal, além de poder contribuir com a rigidez da pena, ou mesmo com a absolvição do envolvido.

REFERÊNCIA - Já quando o caso envolve o material humano, mais especificamente o DNA, a Polícia Científica se destacou nos processos criminais e de investigação por meio do compartilhamento e comparação de perfis genéticos. O Paraná possui um banco de DNA integrado com laboratórios de todo o Brasil que dispõe de mais de 110 mil perfis genéticos, sendo 5.582 mapeados pela Polícia Científica do Paraná, desde a criação do banco, de acordo com relatório do Ministério da Justiça, divulgado no último semestre.

O caso Rachel Genofre é um bom exemplo, um dos casos emblemáticos no Brasil, pois aconteceu há quase dez anos e só foi elucidado quando um condenado por outro crime ingressou no banco de perfil genético pelo estado de São Paulo, permitindo a solução no Paraná, referência no assunto.

No Paraná, a Rede Integrada de Bancos de Perfis Genéticos (RIBPG) colaborou, inclusive, para a solução de 117 casos nos primeiros seis meses de 2021. Parte dos perfis genéticos são oriundos do material genético coletado semanalmente de presos que cometeram crimes hediondos e que adentraram o sistema prisional. Separadamente, a PCP tem promovido campanhas de coleta de DNA de pessoas que possuem familiares desaparecidos, para que se facilite a localização destas pessoas em qualquer parte do país.

DESTAQUE - A evolução da Polícia Científica paranaense destacou-se nos últimos meses, quando um projeto de aprimoramento da estrutura do laboratório de perfis genéticos do Paraná recebeu a maior nota de avaliação do Brasil, pelo Ministério da Justiça e da Segurança Pública (MJSP). O resultado garante investimento do governo federal de R$ 790 mil ao laboratório, além do reconhecimento internacional validado pelo Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro) e pela RIBPG.

MUSEU – Faz parte desta história o Museu de Ciências Forenses do Paraná, criado antes mesmo do estabelecimento oficial da Polícia Científica no Paraná, em 1970. Seu objetivo tem sido exemplificar e aprimorar o conhecimento com elementos que agregam à formação de estudantes e profissionais de áreas como Medicina, Odontologia, Direito, Enfermagem e Farmácia. O material que compõe o museu reúne peças de crimes marcantes, mortes misteriosas que aconteceram no Paraná e elementos que contam muito da história da Polícia Científica, bem como do serviço que é prestado pela força.

FUTURO – Representando a mais pura difusão de conhecimento científico, no início de novembro, ocorre a InterForensics, uma conferência internacional bianual feita pela Academia Brasileira de Ciências Forenses, que reúne profissionais de diversas áreas da perícia, profissionais da justiça, pesquisadores e estudantes da área.

Em 2021, o evento terá duração de quatro dias (02 à 05/10), e será sediado no Paraná, em Foz do Iguaçu, e possui apoio total da Polícia Científica do estado. Na conferência, serão disponibilizados diversos cursos e workshops, alguns deles, inclusive, ministrados por peritos oficiais do Estado, além da exposição e apresentação de trabalhos científicos que visam levar conhecimento e abrir espaço para discussão no campo da Ciência Forense. 

“Chegando agora nos 20 anos desde sua criação, a Polícia Científica trilha seu legado seguindo à risca seus valores, sempre priorizando servir o cidadão através da resposta célere, íntegra e precisa, trabalhando lado a lado com a tecnologia para expandir o campo forense, em prol da justiça”, garante Grochocki.

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