Tecnologia da Polícia Científica reduz emissão de perfil genético de dias para poucas horas 22/05/2026 - 16:06
Um novo equipamento capaz de transformar uma amostra biológica em um perfil genético completo em cerca de duas horas. A tecnologia, um sistema conhecido como Rapid DNA, automatiza praticamente todas as etapas da análise genética em um único sistema e passa a mudar a dinâmica da perícia no Paraná, ao reduzir etapas manuais, acelerar resultados e permitir respostas mais rápidas em investigações que dependem de identificação por DNA.
“O grande diferencial dessa tecnologia é integrar todo o processo de análise genética em um único sistema automatizado. Isso reduz a intervenção humana, diminui o risco de contaminação e permite gerar perfis genéticos de forma muito mais rápida, inclusive com possibilidade de comparação quase imediata com bancos de DNA”, afirma o perito e chefe do laboratório de genética da Polícia Científica do Paraná (PCIPR) Pedro Canezin.
Na prática, o equipamento recebe amostras como swab bucal, saliva ou sangue fresco e executa sozinho fases que normalmente exigiriam diferentes aparelhos, técnicos e horas de trabalho em laboratório. Entre elas estão extração do DNA, purificação, amplificação genética por PCR, eletroforese capilar, leitura fluorescente e interpretação inicial dos resultados.
O principal diferencial está justamente na integração. Enquanto um fluxo convencional de análise genética pode levar de 8 a 96 horas laboratoriais — além do tempo até a emissão do laudo — o novo sistema gera um perfil genético em aproximadamente 90 minutos a 2 horas.
“A rotina do laboratório muda significativamente porque o sistema reduz etapas manuais, tarefas repetitivas e a necessidade de múltiplos equipamentos. Com isso, as equipes conseguem processar mais amostras, diminuir filas analíticas e acelerar a inserção de perfis em bancos de DNA”, explica o chefe do laboratório de genética da PCIPR.
O modelo funciona no formato “sample-to-profile”: a amostra entra no equipamento e o perfil genético sai pronto para comparação em bancos de DNA, compatíveis com sistemas nacionais e internacionais. Além de acelerar investigações, a tecnologia reduz a necessidade de manipulação manual das amostras, diminui o risco de contaminação e simplifica a rotina laboratorial.
PIONEIRO NO ESTADO – Esta é a primeira implementação operacional da tecnologia Rapid DNA no Paraná. Plataformas semelhantes já são utilizadas em estados como Rio Grande do Sul e Distrito Federal, além de países da Europa e nos Estados Unidos, onde a identificação genética rápida já faz parte da rotina forense.
O sistema foi desenvolvido principalmente para amostras de boa qualidade, como saliva, sangue recente e swab bucal. Materiais degradados, ossadas e misturas biológicas complexas ainda apresentam limitações maiores para processamento rápido.








